Diretor do Insa fala sobre os efeitos do aquecimento global no Semiárido

Posted on Julho 30, 2010

0


Tamara Costa para o Gestão C&T online

O Semiárido brasileiro é reconhecido pelo governo federal como região estratégica para o desenvolvimento nacional. A afirmação é do diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Roberto Germano Costa. Contudo, faltam, segundo ele, ações de planejamento a longo prazo para que os efeitos do aquecimento global sejam enfrentados neste bioma.

No Brasil, 1,4 mil municípios do Semiárido, responsáveis pela maior parte da pobreza do país, são afetados diretamente pelo aumento da temperatura terrestre. Os dados são do Programa Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, que também apontou que quase 20% deste bioma será atingido de forma grave, com reflexos ambientais e socioeconômicos.

Costa lembrou a importância da discussão para que se possa evitar desastres como os provocados pelas fortes chuvas em Alagoas e Pernambuco no último mês. Também falou de um caso particular, no último ano, em Cabaceiras, na Paraíba, considerada a cidade mais seca do Brasil. “Imagine que a precipitação anual desta cidade é de 300 milímetros, e 245 milímetros teriam caídos em apenas um dia”, alertou.

O diretor do Insa espera que bancos, instituições e agências de pesquisa e fomento gerem novos produtos com foco nas mudanças climáticas e no processo de desertificação. “Esperamos um reforço na discussão sobre as regiões semiáridas para formação de subsídios técnicos por recomendação da Convenção das Nações Unidas para Combate à Desertificação (UNCCD)”. Vale lembrar que mais de 41% de toda a área do globo terrestre é considerada árida ou semiárida.

O MCT, de acordo com Costa, tem demonstrado uma clara atenção a esta região quando cria espaços como o Centro de Tecnologias Estratégicas para o Nordeste (Cetene), em Recife, e o Insa, que é uma unidade de pesquisa preocupada com o desenvolvimento sustentável do Semiárido. Este bioma, inclusive, foi incluído no Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional (Pacti), dentro do mesmo eixo estratégico da Amazônia.

Costa ministrou a conferência “Desafios da sustentabilidade em regiões semiáridas”, ontem (27), na Escola de C&T da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O evento integrou a programação da 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que segue até a próxima sexta-feira (30).

Posted in: Uncategorized