Pesquisador do Inpe propõe soluções inovadoras para enfrentamento das mudanças climáticas no Nordeste

Posted on Julho 27, 2010

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Tamara Costa, de Natal, para o Gestão C&T online

O Semiárido do Nordeste é a região mais vulnerável às mudanças climáticas no Brasil. Não por causa das secas, que são um fenômeno natural, mas em razão do subaproveitamento das potencialidades do bioma. A afirmação é do doutor em meteorologia e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Paulo Nobre. “A questão no Nordeste é a associação entre seca e pobreza. Por que não pensamos em atividades que se beneficiem do clima seco?”, propôs o especialista.

De acordo com Nobre, para que o Nordeste brasileiro enfrente os efeitos do aquecimento global é preciso investir em novas tecnologias, que levem em conta o remanejamento das comunidades locais que têm como base a agricultura familiar. “Existe uma ameaça real. O aumento da temperatura do ar, da evaporação e a irregularidade das chuvas agravam a perda de umidade do solo e da água em reservatórios”, alertou.

Para ele, é possível enfrentar a situação a partir de uma mudança de paradigma que resulte na formulação de políticas para o enfrentamento da seca, principal causadora da fome e da pobreza. “A agricultura de subsistência no Semiárido está se tornando ínviavel. É preciso adotar atividades econômicas baseadas em água ameaçada no futuro”, sugeriu.

De acordo com pesquisa realizada pelo Inpe, o ciclo de chuvas do passado que ainda garantia ao sertanejo retirar do solo o alimento para si e a comida para as cabras, por exemplo, não existe mais. “O simples aumento da temperatura representa uma retirada maior de água e essas pequenas culturas tendem a não conseguir sobreviver”.

Nobre lembrou o potencial da região para a geração de energia eólica quando comparou o Semiárido ao deserto do Saara, onde estão sendo tomadas medidas sustentáveis. Segundo ele, a comunidade européia já investiu cerca de US$ 500 bilhões para a geração de energia solar. “Os europeus estão investindo em adequação de energias limpas e não estão fazendo de maneira filantrópica, mas porque já entenderam que isso representa possibilidade de lucro”.

Além de investimentos em matriz energética limpa, Nobre apontou outras atividades econômicas para a substituição das economias regionais que tendem à falência com a desfunção do ciclo hidrológico no Semiárido. Para ele, é preciso adotar programas de emprego para a recuperação de paisagens naturais, promover o reflorestamento de matas ciliares, além da construção de escolas, creches e hospitais e aproveitamento da fruticultura para exportação.