Entrevista com Odenildo Sena, novo secretário de C&T do Amazonas

Posted on Julho 16, 2010

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O professor e filólogo Odenildo Teixeira Sena assumiu a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas (Sect) no dia 6 de julho. Ele acumula o cargo de diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desde julho de 2005, e promete continuar contribuindo para a consolidação do sistema estadual e nacional de Ciência e Tecnologia (C&T).

Sena é graduado em letras e especializado em psicologia do ensino e aprendizagem, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Possui mestrado e doutorado em lingüística aplicada e estudos da linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Já presidiu o Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) em 2007 e é professor adjunto da Ufam.

Pouco mais de uma semana após assumir a Sect, Sena diz que é preciso conhecer as ações em andamento para que possa definir as prioridades de sua gestão. No que diz respeito à Fapeam, a meta é continuar priorizando a formação de recursos humanos, especialmente de doutores em áreas estratégicas para atender o que é considerado o principal empecilho ao desenvolvimento da ciência no Estado.

Em entrevista exclusiva ao Gestão C&T online, ele destaca que a Fapeam já investiu, desde 2003, mais de R$ 200 milhões em C&T. Para o secretário, o grande elemento motivador do avanço no setor foram as parcerias com o governo federal por meio de agências de fomento, como o CNPq, a Finep, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde.

Confira a entrevista na íntegra:

Quais serão as prioridades da sua gestão frente à Secretaria de C&T do Amazonas?

Como o tempo é muito pouco até o final do ano, estou me reunindo com um grupo de trabalho para, pontualmente, definirmos o que é possível realizar de atividades nesse período. No mais, ainda estou me dando conta das ações em andamento. Um pouco lá na frente poderei falar sobre esses planos com mais precisão.

Quanto o Amazonas investirá na área de C&T este ano e quais áreas serão priorizadas?

Por enquanto posso falar dos investimentos diretos feitos pela Fapeam. O orçamento para o corrente ano é de R$ 65 milhões. Continuaremos priorizando a formação de pesquisadores, nosso grande gargalo no Estado. Ao lado disso, uma outra prioridade, que certamente receberá o aval da secretaria, diz respeito aos investimentos em inovação tecnológica. O exemplo mais recente foi a parceria fechada com a Whirlpool, primeira do gênero com o setor produtivo, que nos permitirá investir R$ 10 milhões em inovação tecnológica, abrindo, inclusive, espaço para que os pesquisadores desenvolvam atividades no espaço da empresa.

Qual a importância da criação da Fapeam para o Estado?

De 2003 até julho deste ano, o Estado, por meio da Fapeam, já investiu pouco mais de R$ 200 milhões em C&T. Isso tem colocado o Amazonas em destaque no cenário, com impactos visíveis na pesquisa em todas as áreas do conhecimento. Para se ter uma idéia, no mês passado a Fapeam contabilizou investimentos na formação de 500 doutores, dos quais 121 já titulados e em atividades no Estado. Isso dá uma dimensão do que representa uma agência de fomento como a Fapeam.

No geral, é preciso destacar que um grande elemento motivador desse crescimento foram as parcerias com o MCT, por meio do CNPq e da Finep; com o Ministério da Educação (MEC), por meio da Capes; e do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia.

Vivemos, desde 2003, um fenômeno novo nos investimentos em C&T no Brasil: a desconcentração de ações e investimentos, o que tem contribuído de forma exemplar para a consolidação do sistema nacional e dos sistemas estaduais de C&T.

O cenário da ciência e tecnologia no Amazonas teve grandes avanços nos últimos anos. Quais o senhor poderia destacar?

Num primeiro plano, o enorme avanço na formação de novos doutores. Essa é a maior de todas as condições para o desenvolvimento da ciência no Estado. Em parceria com a Capes e o CNPq, estamos investindo R$ 35 milhões na formação de doutores em áreas estratégicas. Ao lado disso, a pesquisa em inovação tecnológica envolvendo micro e pequenas empresas. O programa de subvenção econômica, em parceria com a Finep, tem dado excelentes respostas por aqui. Estamos conseguindo estimular essas empresas a desenvolver produtos e processos que valorizem a transformação de conhecimentos sobre a região em produtos com valor agregado.

Não há como deixar de destacar que as pesquisas na área de saúde também avançaram bastante, sobretudo decorrentes das parcerias com o Ministério da Saúde e CNPq. É preciso, também, ressaltar que o Estado conta com cinco institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCTs) aqui instalados, o que representa um salto qualitativo até pouco inimaginável no Estado.

Em sua opinião, qual é a principal contribuição do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) para o Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia?

Presidi o Confap por dois anos. O atual presidente é o professor Mário Neto, presidente da Fapemig. A trajetória do conselho orgulha a todos nós. Hoje ele é reconhecido como de fundamental importância para o desenvolvimento da C&T no país. Naturalmente que isso se constrói partilhando esforços. Nesse sentido, há que se registrar o mérito do trabalho desenvolvido pelo ministro da C&T Sérgio Resende e pelo secretário executivo do MCT, Luiz Antonio Elias, que entenderam desde cedo o contraponto da presença das fundações na construção e consolidação do Sistema Nacional de C&T e conseguiram formalizar um canal permanente de interlocução com o Confap.

(Tamara Costa para o Gestão C&T online)

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