PPPs mudarão a indústria farmoquímica brasileira, afirma presidente da Cristália

Posted on Junho 24, 2010

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Tamara Costa para o Gestão C&T online
publicada em 09/06/2010

O advento dos genéricos normatizou a produção de medicamentos no país e mudou a indústria farmacêutica brasileira. Entretanto, o Brasil continua dependendo da importação de insumos para a fabricação de fármacos. De acordo com o presidente da Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos, Ogari Pacheco, as Parcerias Público-Privadas (PPPs) serão as principais responsáveis para que a mudança ocorra também com a farmoquímica local.

De acordo com Pacheco, cerca de 95% da matéria-prima utilizada na produção de medicamentos vem de fabricantes internacionais. Os insumos são importados principalmente da China e Índia, que realizam produção em grande escala. “A indústria farmacêutica brasileira, tal qual como estabelecida hoje, não vai comprar farmoquímicos da indústria nacional. As fábricas de genéricos competem umas com as outras e vão procurar ter a matéria-prima mais barata possível”, explicou.

A solução, segundo o especialista, é fornecer condições de competitividade para a indústria nacional por meio das PPPs. Tais parcerias devem garantir uma parte do mercado especificamente para o que é produzido em escala local. “As PPPs mudarão a história da indústria farmoquimica brasileira como os genéricos mudaram indústria farmacêutica. É uma saída inteligentíssima. Lamentavelmente no passado as medidas tomadas foram incompletas”, afirmou.

As fabricantes de produtos químicos destinados à atividade farmacológica no Brasil, para o presidente da Cristália, não alcançaram sucesso porque não tinham merdado. Com as PPPs (Parceria Público-Privadas), que foi a solução apontada por ele, passa-se a privilegiar a empresa nacional ou a que produza matéria-prima farmacêutica localmente. Nessa condições, as empresas terão como garantia de sua produção o mercado que o laboratório ou que a empresa estatal dispõe, que é separado para eles.

Proposta
O presidente da Cristália propõe que sejam oferecidos mecanismos de incentivo para as farmacêuticas que utilizem princípios ativos produzidos em território nacional para fabricação de medicamentos. “O que proponho é que quem fizer a produção da matéria-prima localmente tenha o registro antes dos demais. O preço quem faz é o mercado, nesse sentido não há possibilidade de exploração inadequada”, garantiu.

As idéias de Pacheco foram discutidas durante a sessão “Pesquisa e Desenvolvimetno em Saúde: o futuro de uma política setorial”, na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), em Brasília, na última quinta-feira (27). O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, coordenador da mesa, defendeu a verticalização do fomento em saúde.

O chefe do Departamento de Produtos Químicos e Farmacêuticos do BNDES, Pedro Palmeira, lembrou que a saúde é o setor em que o poder de compra do Estado se apresenta como principal elemento indutor da inovação tecnológica. De acordo com ele, as ações do BNDES para os próximos anos incluem o estímulo e apoio a movimentos de consolidação que levem a construção de grupos nacionais farmacêuticos e de equipamentos médicos com maiores chances de alcançar posicionamentos competitivos favoráveis e sustentáveis.

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carlos Gadelha, relator da sessão, afirmou que é preciso superar o enfoque setorial em favor do enfoque sistêmico, que valorize o sistema produtivo em sua totalidade. Para ele, a saúde pode se tornar o grande exemplo para uma estratégia nacional de desenvolvimento.

Posted in: COBERTURAS, ECONOMIA