Sinalização do mercado não é suficiente para determinar trajetória da inovação, alerta especialista

Posted on Maio 31, 2010

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TAMARA COSTA para o Gestão C&T online

As atividades da inovação são coordenadas, em sua maioria, pelo mercado financeiro, onde se faz importante o que é dominante e não o que é necessário. A análise foi feita hoje (28), em Brasília (DF), por Antônio Prado, secretário executivo-adjunto da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), durante a 4ª Conferência Nacional de CT&I. Assim, a sinalização do mercado não é suficiente para determinar a trajetória da inovação, que, segundo o especialista, deveria ser transformada em um serviço público.

De acordo com ele, o modelo dominante de coordenação do setor está incompleto. “As inovações são coordenadas pelo mercado a partir dos sinais das taxas de lucro ou derivada de certos fatores de demanda. Tais casos incluem situações, nas quais, por falhas de informação de coordenação, o Estado intervém, como faz frequentemente para impulsionar determinadas trajetórias”, explicou. Para o especialista, é preciso que as necessidades sociais também determinem caminhos relevantes para o futuro.

“Em matéria de inovações tecnológicas, a biotecnologia, por exemplo, abre importantes potencialidades de inovações em processos e produtos, que podem ser orientadas para a inclusão social”, listou. Segundo ele, na área da saúde esse tipo de inovação pode facilitar o acesso a medicamentos por meio de soluções menos custosas que possibilitem uma maior cobertura. Simultanteamente, fortalece a equidade e capacidade de inovação.

Prado citou como exemplo alguns casos de sucesso onde as inovações foram orientadas no sentido de permitir o acesso das populações marginalizadas. Um deles é o caso representado pelo desenvolvimento de manufatura de vacinas em Cuba. Outro exemplo, que está em andamento no Brasil e na Argentina, diz respeito a pesquisas biotecnológicas voltadas ao desenvolvimento de novas vacinas para as denominadas doenças neglicenciadas pelo mercado, como o Mal de Chagas e a Malária.

“As experiências dos paises em inovações organizacionais, guiadas por objetivos sociais, têm sido importante em diversos setores nos quais se registram esforços no sentido de estender o acesso aos grupos mais pobres”, afirmou.

O secretário também mencionou o caso do Plano de Atenção Nacional de Emergência Social, no Uruguai, que permitiu conceber e instrumentalizar intervenções focalizadas a partir de diferentes métodos de identificação das necessidades sociais, e de uma rede informatizada de escritórios locais.