Plano de CT&I deve atentar para a heterogeneidade do Semiárido

Posted on Maio 28, 2010

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TAMARA COSTA para o Gestão C&T online

Representantes do Semiárido brasileiro reafirmaram a urgente necessidade de introduzir o bioma na agenda de discussão nacional. A observação foi feita hoje (27), durante sessão temática realizada na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que acontece em Brasília (DF).

Segundo os especialistas, para compor o plano de ação de CT&I para o próximo decênio é preciso atentar para a heterogeneidade da região e formular soluções de abastecimento para as populações difusas. A escassez de recursos hídricos também foi destacada pelos palestrantes.

“O primeiro ponto para a construção de políticas públicas para o Semiárido é entender que ele é heterogêneo. Qualquer política que tente homogeneizar esse espaço vai cair em equívoco, pois o bioma é heterogêneo do ponto de vista físico e social e esta peculiaridade precisa ser incorporada”, destacou Francisco de Assis de Souza, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Para ele, é preciso pensar a diversificação até mesmo na escala municipal, onde há variação brusca do solo em pequenas escalas territoriais.

O Semiárido é composto por 1.133 municípios brasileiros, com aproximadamente 22 milhões de pessoas. Trata-se de uma região informe, com diferentes paisagens, clima, vegetação e solo. “A diversidade gera um desafio maior para que sejam colocadas soluções para esse ambiente”, pontuou Natoniel Franklin, chefe geral da Embrapa Semiárido. O especialista também lembrou que a região chega a passar mais de 300 dias por ano sem água, o que gera uma demanda por mecanismos de geração de recursos hídricos nos tempos de mitigação.

Atualmente no local são realizadas ações como a exploração de águas subterrâneas e programas de implementação de cisternas. No entanto, a exploração das potencialidades da região ainda está aquém das expectativas. Para o diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Roberto Germano, é latente a necessidade de conceber a região em novos formatos, de forma que seja valorizada a reconstrução dos saberes sobre o meio ambiente como forma de convivência.

Propostas
De acordo com o diretor do Insa, o plano de CT&I para o Semiárido deve levar em conta, principalmente, ações de planejamento a logo prazo; a melhoria da educação para a redução dos desequilíbrios sociais; e a promoção de políticas de empreendedorismo. Ele também frisou a disseminação de tecnologias sociais. “Temos o desafio da geração de renda apoiados em outros valores de produção”, pontuou.

Germano também destacou a importância de introduzir o bioma na agenda de discussão nacional, levando em consideração que a área está mais amaeaçada que a Amazônia, principalmente em razão da falta de compensação ambiental para os grandes projetos. “Temos que ter o mesmo espaço político de discussão que a Amazônia tem. Precisamos buscar urgentemente alternativas para evitar a destruição da caatinga”.

O diretor do Insa apresentou como proposta setorial à conferência nacional a implantação do fórum e do observatório do Semiárido brasileiro. O instituto também vai pedir recursos emergenciais para a ampliação das pesquisas do Sistema de Alerta Precocec (SAB) e de tecnologias sociais que promovam a substituição da matriz energética mais utilizada em toda a caatinga, que é a lenha usada principalmente na produção de carvão mineral.