Para diretor do Inpa, fixação de recursos humanos é o principal gargalo da região amazônica

Posted on Maio 28, 2010

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TAMARA COSTA para o Gestão C&T online)

A fixação de recursos humanos qualificados é o principal gargalo da região amazônica. A afirmação foi feita pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Luis Val, durante sessão plenária realizada nesta quarta-feira (26), na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), em Brasília (DF).

“Para resolver o grande gargalo que temos hoje na região precisamos ter um convencimento político no país de que precisamos de gente para estudar tudo que temos na Amazônia, desde a floresta a seus bichos, mas muito mais do que isso. Precisamos estudar e desenvolvimento de novos produtos e processos a partir do coração da floresta para que possamos providenciar bases sólidas para a inclusão social e para geração de renda”, propôs Val.

Segundo o especialista, uma solução possível é estudar formas para a modificação do arcabouço legal para a contratação de pessoal na região. “O que não podemos fazer é utilizar as bolsas de estudo, que servem para capacitação de recursos humanos, como um instrumento para fixação de recursos humanos na região”, lembrou.

Para ele, usar as bolsas como solução seria um erro comprometedor, pois criaria um contingente de profissionais que fica marginalizado no processo social no decorrer dos anos, já que os bolsistas nao recolhem os impostos devidos para a seguridade social.

O diretor também lembrou que o advento das fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) fez diferença crucial na região. “Essa conquista de certa forma foi liderada pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que hoje se propaga para os demais Estados da região, e possibilita não só um financiamento adicional, como pensar a ciência a partir das lideranças locais”, pontuou.

Para o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado (Sect-AM), Marcílio de Freitas, a conferência nacional deve resultar em um projeto consistente que integre a Amazônia do ponto de vista regional nacional. “Precisamos de um projeto econômico do Estado nacional integrado que valorize e invente plataformas tecnológicas que integrem as populações amazônicas e que de alguma forma fortaleça os arranjos produtivos locais (APLs)”, afirmou.

Segundo o especialista, o desenvolvimento sócio-econômico da região deve se apoiar na utilização de tecnologias modernas, coma a nanotecnologia, química fina, fotônica e cibernética.

Educação básica
Para enraizar e institucionalizar as estruturas de CT&I, o secretário frisou a necessidade de altos investimentos em educação de base, que contemplem jovens que habitam os mais de 600 municípios que compõem a região amazônica. “Precisamos melhorar a formação técnica desses jovens e prepará-los para liderar e governar o futuro da Amazônia para que seja gerida a partir dela mesma e não por meio dos demais países mundiais ou de outras regiões do Brasil”, sugeriu.

Segundo Freitas, os investimentos em CT&I, isoladamente, não resolverão por completo os problemas da Amazônia, mas uma política integrada que reafirme a importância da natureza e da cultura dos povos que nela habitam serão um instrumento fundamental para que a região se transforme e possa ser integrada aos processos nacionais e mundiais com soberania e dignidade.