Expectativa da Petrobras é alcançar US$ 90 bilhões em investimento em 2010

Posted on Abril 30, 2010

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TAMARA COSTA para o Gestão C&T online
Edição Nº 927 • 29 de abril a 2 de maio de 2010 • Ano 9 (visualizar)

Produzir mais petróleo e gás, buscar outras fontes de energia, além de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e o impacto nos recursos hídricos são os principais desafios da Petrobras para os próximos anos. As projeções foram divulgadas pelo gerente executivo do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Melo (Cenpes), Carlos Tadeu da Costa Fraga, no segundo dia da 10ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que aconteceu em Curitiba (PR), entre os dias 26 e 28 de abril.

“O pré-sal tem desafios, mas não é tão complexo quanto se propaga. Estamos em posição privilegiada para trabalhar em águas profundas”, adiantou Fraga. Segundo ele, a maior empresa brasileira também possui desafios de ordem tecnológica, mas os de maior porte são o da competitividade da cadeia produtiva. Em 2009, a Petrobras investiu mais que a Exxon, que até então era a maior investidora no nicho exploração e produção de petróleo.

Com a descoberta da nova fronteira exploratória com grande potencial para a indústria brasileira, o pré-sal, a corporação vislumbra um novo quadro de avanços e conquistas. Segundo o palestrante, a empresa já consegue extrair o combustível com as tecnologias existentes. Contudo, surge uma nova demanda e a idéia é que sejam investidos mais recursos em inovação para superar os desafios e aproveitar as oportunidades.

Anualmente, a Petrobras possui recursos para investimento superior a US$ 30 bilhões, o que equivale a mais de R$ 52 bilhões. “A expectativa é chegar a US$ 90 bilhões em investimento em 2010”, afirmou Fraga. Os recursos mais volumosos são direcionados à área de óleo e gás. O setor que exige maior capital intensivo é o de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que consome em torno de US$ 800 milhões por ano, o que lhe garante posição entre as cinco maiores investidoras em P&D do mundo.

A Petrobras trabalha com 1.600 funcionários dedicados full time (período integral) a atividades de PD&I, entre eles 783 pesquisadores, 504 técnicos de laboratório e planta piloto e 326 engenheiros. De acordo Fraga, a estratégia de inovação e as diretrizes do desenvolvimento atuais da empresa partem do princípio de que é preciso expandir os limites dos negócios a partir da visão da sustentabilidade nas dimensões econômica, social e ambiental.

Recentemente a entidade subiu da 25ª para a 18ª posição no ranking das 100 maiores empresas do mundo da revista Forbes. Ela manteve-se como a companhia brasileira mais bem colocada na lista. A classificação leva em conta vendas anuais em dólar, ativos, lucro, e valor de mercado. Entre as brasileiras listadas estão: Bradesco na 51ª posição, Banco do Brasil na 52ª, Vale, ocupando a 80ª, e Itausa na 82ª posição.

Novas demandas
O gerente do Cenpes afirmou que a demanda por recursos humanos representa uma grandeza considerável na agenda de inovação da empresa. “Na próxima década haverá uma demanda de cerca de 120 mil profissionais só para a indústria de óleo e gás, sendo 15% de nível superior”, disse. Fraga lembrou que 56% da equipe atual do Centro de Pesquisa da Petrobras têm menos de dez anos de experiência.

Por se tratar de uma atividade que emite gases de efeito estufa e consome muita água, a empresa projeta mais investimentos em gestão ambiental para que os impactos sejam reduzidos. “A Petrobras vai precisar de mais recursos humanos e a academia vai precisar de mais pesquisadores trabalhando nesses temas”, adiantou o especialista.

Somada a infra-estrutura interna, a Petrobras conta com a colaboração de uma rede externa de universidades e instituições de P&D nacionais. “A inteligência tecnológica existente do lado de fora da companhia é muito maior do que nossa capacidade interna de conduzir os trabalhos e desafios. Dependemos e gostamos de depender das parcerias que formamos, sejam atores da academia ou do setor industrial”, relatou. Atualmente a Petrobras trabalha em cooperação com 50 redes temáticas, envolvendo 80 universidades e instituições de P&D em 19 Estados brasileiros.