Saneabas e Sociesc apresentam caso de cooperação de sucesso para a inovação sustentável

Posted on Abril 27, 2010

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TAMARA COSTA, de Curitiba, para o Gestão C&T online
Edição de 26 a 28 de abril de 2010 – Nº 925 – Ano 9 (Visualizar)

A empresa Saneabas Plásticos e a Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc) são responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia sustentável que resultou na produção de abas de boné feitas de material reciclado. O caso de sucesso foi apresentado na 10ª Conferência Anpei de Inovação tecnológica, que acontece de 26 a 28de abril, no complexo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em Curitiba.

A iniciativa, intitulada “Aba do boné sem memória de forma e posição”, foi uma entre as cinco contempladas em um edital do MCT/Finep/Sebrae, em 2005. “O mercado precisava de novas tecnologias para abas de boné, com vistas a fazer frente à exportação da China. Entre os desafios estavam aproveitar a matéria-prima reciclada para aumentar a competitividade”, disse Luiz Fernando Lemos, proprietário da Saneabas.

O projeto envolveu R$ 309 mil, sendo 50% do Sebrae e 50% da Finep. A verba foi dividida entre as cinco empresas contempladas pela chamada pública. Entre as metas a cumprir estavam, além de fazer fente ao mercado de abas chinesas, buscar novos mercados (internos e externos) e repassar conhecimento para empresas intervenientes. A Sociesc, entidade civil de caráter educacional sem fins lucrativos responsável pela execução do projeto, montou um laboratório para as pesquisas em sua unidade de Curitiba.

De acordo com Gilberto Paulo, diretor da Sociesc, a parceria alcançou os melhores resultados do setor. “O fato de não ter memória significa que a aba do boné não volta à posição inicial. Caso o usuário inverta a aba e a deixe assim por um determinado tempo, conseguirá dar uma nova forma ao boné”. Segundo o palestrante, as pesquisas chegaram às características de um material que o cliente deseja.

Após a conclusão das pesquisas, a Saneabas passou a fabricar seus produtos com material 100% reciclável. “Produzir aba com plástico virgem sai até oito vezes mais caro quando comparado ao material reciclável”, lembrou Lemos. A Saneabas fica em Apucarana, no Paraná, que é considerada a capital dos bonés. A Sociesc possui laboratórios de plástico e tem cursos técnicos e curso de pós-graduação na área de desenvolvimento de produtos.

Fases do projeto
A primeira fase do projeto das abas recicladas envolveu a caraterização da matéria-prima utilizada no mercado e, em seguida, o objetivo foi desenvolver uma nova matéria prima para a produção sustentável. O trabalho envolveu também a caracterização do processo de fabricação de abas. Foi desenvolvido um processo de fabricação para o novo produto e, posteriormente, a tecnologia foi repassada às empresas intervenientes do setor. Por último, foram realizados testes e ensaios nos fabricantes de boné de Apucarana.

Inovação nas MPEs
Na manhã do primeiro dia do evento, destinada ao tema “Cooperação para o desenvolvimento sustentável”, foram apresentados cases de inovação nas Micro e Pequenas Empresas (MPE’s). Além da experiência da Saneabas/Sociesc, foram divulgados os projetos “Malha Ecochic”, desenvolvido em parceria pelo Senai-PR e a empresa de confecção Joyful, e o “Brazilian Berries”, do Senai-PR/Samalou Comércio de Frutas Finas, com vistas à viabilização industrial de amoras nativas brasileiras. Também foi relatado o caso da Hy Tecnologies, com o projeto “Tele-medicina remota pra o monitoramento de pacientes”.