Secretário Executivo de C&T do Estado do Amazonas apresenta diretrizes para o desenvolvimento sustentável da Amazônia

Posted on Abril 13, 2010

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TAMARA COSTA (de Belém, para o Gestão C&T)
Edição de 22 a 24 de março de 2010 – Nº 911 – Ano 9 (visualizar)

Uma política de ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira deve, necessariamente, alcançar todos os setores sociais, sem deixar de se conectar com os processos ocupacionais da região. E uma proposta ousada deve partir de perspectiva local, em vez de organismos que não estão adaptados à realidade amazônica. As diretrizes foram apresentadas pelo Secretário Executivo de Ciência e Tecnologia do Estado do Amazonas, Marcílio de Freitas, durante a 2ª Conferência da Região Norte de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).

Ao contrário do que pregam os ambientalistas mais radicais, o especialista destacou a importância da CT&I no processo de integração local. “Acreditamos que é possível explorar a Amazônia sem destruir, caso contrário estaremos eternamente reféns da subalternidade, da miséria e da ignorância política nas formas mais amplas possíveis”, afirmou Freitas durante a palestra de abertura intitulada “Política de Estado de CT&I para o desenvolvimento sustentável”, que aconteceu no dia 18.

“No cenário sofisticado de sustentabilidade, ciência e desenvolvimento produtivo estão diretamente conectados”, garantiu. Durante a apresentação, o secretário também enumerou os principais problemas do conceito e da prática da sustentabilidade. Entre eles, o discurso dos países mais ricos que se dizem a favor de uma política de Estado nesta perspectiva, mas em contrapartida não tomam medidas compatíveis com seus interesses eleitoreiros.

Segundo o especialista, é importante salientar que os atuais sete países mais industrializados e economicamente desenvolvidos do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia), não deixam de lucrar com a prática. “A sustentabilidade não impede o crescimento do fluxo financeiro. Ela apenas coloca dificuldade e empecilhos para que haja diminuição do fluxo de massa e energia – que geram poluição”, adiantou.

Freitas salientou que as propostas de desenvolvimento sustentável do país devem levar em consideração os problemas trazidos para a Amazônia. Segundo o secretário, o Estado absorve mais de 140 milhões das emissões de gás carbônico (CO2), o que gera benefício para todo o planeta. Tal característica natural é um serviço ambiental internacional, pois a região é responsável pela redução deste gás de efeito estufa na atmosfera.

Relatório da Conferência Estadual do Amazonas
Além de abrir o ciclo de debates com a palestra que tratava do tema central da conferência, Freitas também apresentou o Relato da Conferência Estadual do Amazonas. “A forma como os processos produtivos do Brasil estão organizados colocam dificuldades para que minha região possa ser encorpada em um projeto nacional sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico”, alertou. Segundo ele, a Amazônia possui mais de 22 mil comunidades isoladas, o que dificulta a integração dos processos. Além disso, o Estado encontra dificuldades também em razão de sua complexidade geofísica e cultural.

Durante a reunião estadual, que aconteceu em dezembro de 2009, instituições de ensino, pesquisa e formação superior do Amazonas entenderam a importância do desenvolvimento situado e localizado – partindo da perspectiva que abrange os mais de 150 povos que constroem a região -, e centralizaram as discussões em torno da necessidade de ampliar e consolidar novas fontes de financiamento para ciência e tecnologia.

“A humanização da Amazônia, a soberania do Brasil sobre a Amazônia e a nacionalização dos programas da CT&I, passam pelo investimento em programas high tech (de alta tecnologia) integrados a estratégias de exploração da floresta”, adiantou Freitas. Para tanto, segundo o secretário, é preciso investir na educação de base e na formação de especialistas que estão incorporados nas culturas locais.

Segundo o palestrante, a sustentabilidade deve propor a qualificação da juventude por meio das políticas públicas, até gerar condições mais equânimes para a distribuição da riqueza do país. “O Estado Nacional tem que incorporar a Amazônia, para além de seu potencial, para que um jovem na beira do Solimões, ou na fronteira com o Peru, tenha as mesmas condições que tem um jovem na Avenida Paulista”, concluiu.

2ª Conferência da Região Norte de CT&I
Gestores de todos os Estados da região Norte, incluindo universidades, fundações de apoio à pesquisa (FAPs), secretarias estaduais, entre outras entidades ligadas ao setor, marcaram presença na 2ª Conferência da Região Norte de CT&I. O evento, que aconteceu nos dias 18 e 19 de março, foi uma etapa decisiva na elaboração do relatório da região Norte, a ser apresentado e discutido na 4ª Conferência Nacional de CT&I, que ocorrerá em Brasília (DF), entre os dias 26 e 28 de maio. O objetivo é transformar o plano de governo em uma Política de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação.

(Tamara Costa, de Belém, para o Gestão C&T online)