Revolução silenciosa

Posted on Março 26, 2010

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Robin Hoods do século 21: usuários da rede montam blogs onde disponibilizam álbuns compilados de mp3

TAMARA COSTA

Baixar músicas pela internet está cada vez mais fácil. A nova onda que se instala no webuniverso são os blogs especializados na distribuição gratuita de álbuns compilados. O negocio é o seguinte: o internauta não precisa mais passar dias esperando o download do álbum desejado. Basta que o usuário procure pelos blogs especializados em música. Feito isso, basta clicar nos álbuns disponíveis para ser automaticamente direcionado a um servidor direto de armazenamento (Megaupload, Mediafree, Eapidshare, entre outros). O tempo de download varia, mas não deve passar de uma hora, já que a transferência é direta.

Para Ricardo Louback, professor de biologia e idealizador do Decadent (http://decadent3.livejournal.com), blog especializado em divulgar álbuns do circuito independente do rock, nada melhor poderia ter acontecido para o ouvinte. “A realidade da música hoje é essa; não gastar um centavo antes de saber se a música que você se interessa é realmente boa. Você não precisa mais comprar um cd sem ouvi-lo inteiramente. Hoje é fácil ter esse preview, a partir das mp3s”, afirma. Ricardo dá nome a idéia. Ele costuma chamar essa micro-revulução de “protopirataria coletiva ou robinhoodismo pós moderno”, que, segundo ele, seria como “roubar das gravadoras e dar aos pobres ouvintes.

No ritmo deste novo conceito, é possível dizer que o número de Hobin Hoods pós-modernos da rede tem aumentado significativamente a cada dia. Tais personagens costumam partilhar de um ponto vista em comum, onde o conceito de ilegalidade é substituído pelo de democratização dos meios. “Minha opinião sobre este tipo de site é muito positiva. O que eu penso é que esses espaços servem como um tipo de legitimação dos trabalhos”, diz Leandro de Paula Santos, redator da Orquestra Sinfônica Brasileira e editor do Bagatela (http://bagatela.podomatic.com). Para ele, “a internet torna possível que todo mundo produza e difunda idéias. Esses espaços (blogs), têm a função de dar um fim coletivo a criações que são individuais ou dispersas”.

O Bagatela é um blog de áudio que busca reinventar meios e formas a partir da edição de músicas – com interferências poéticas feitas com a voz e o sotaque carioca de Leandro. Ele soma poesia e música; lirismo e ritmo. Segundo ele, é importante tecer “novos sentidos e abrir chaves para obras que podem apresentar leituras infinitas, sejam músicas ou poemas”. O poadcast de Leandro se espalhou pela internet, onde foi encontrado pelo editor do Musicoteca (http://blogmusicoteca.blogspot.com), que selecionou alguns de seus posts e montou uma coletânea, disponível no site como álbum – com capa e tudo que lhe é direito, ciberneticamente falando.

Web 2.0
A internet passa por uma reformulação de conceitos, chamada de Web 2.0. A primeira fase da internet, Web 1.0, era baseada num modelo onde empresas tinham sites em seus servidores, e nós, os usuários, acessávamos tais informações. Agora, compete aos internautas à responsabilidade pela troca e organização de informações no universo virtual. Dentro deste conceito, encaixam-se recursos como o Adsense (um plano de publicidade do google), Taggings (rotulação de palavras-chave), os wikis (wikipédia) e blogs (fotologs, poadcast, etc).

Nos moldes Web 2.0, é notório o aumento da capacidade de conexão, armazenamento e processamento totalmente livre. Nesse contexto, o usuário é o centro da rede; é ele o responsável por colocar o conteúdo na internet. Daí a onda Youtube, blogs, fotologs e podcasts. “Isso chegou para ficar e qualquer negócio online só tem chance de dar certo, mercadologicamente falando, se fizer com que o usuário possa inserir conteúdo”, opina Bruno Rodrigues, cientista da computação e editor do blog de música Som Barato (http://sombarato.blogspot.com). Para ele é inevitável que o conceito de direitos autorais seja prostituído, pois, nos moldes 2.0, “é impossível evitar que seja jogado todo tipo de mídia, descontroladamente, na rede”.

Som Barato
Um blog como o Som Barato, com quase quatro mil acessos diários, se quiser, sobrevive apenas com as contribuições dos leitores. Bruno, o idealizador do projeto, normalmente baixa as mídias através de programas como SoulSeek, Emule e Orkut. “Do mesmo jeito que vou atrás de jornais para conseguir informações e notícias, uso outras vias para conseguir arte, mídias em geral”, conta.

O Som Barato possui um invejável acervo de discos nacionais. A idéia principal do site é disponibilizar o máximo de discos para download. “O sombarato tem a intenção única de divulgar coisas raras, inclusive fora de catálogo. Também postamos discos mais recentes, sempre buscando links para sites que vendam a obra”, diz Bruno. Por mais que a lei exista, ele nunca teve problemas sérios em relação aos direitos autorais. Apenas criticas e discórdia, principalmente por parte de algumas pessoas que não concordam com a ideia. “É uma grande hipocrisia proibir tal difusão de mídia. O Brasil está no modelo hipócrita próxima ao da China, que sustenta uma proibição na teoria, mas não consegue evitar na prática”, opina o blogueiro.

BOX


Onde baixar:


# Samba – Cápsula da cultura (http://www.capsuladacultura.com.br/blog/)

# Blues e Jazz – 360graus (http://360grauss.blogspot.com/)

# Música infantil – Cantos e Encantos (http://cantoencanto.blogspot.com/)

# Frevo – (http://frevo.multiply.com/)

# Música psicodélica brasileira – Brazilian Nuggets (http://brnuggets.blogspot.com/)

# Bandas independentes do circuito internacional – Decadent (http://decadent3.livejournal.com)

# Música brasileira – Um que tenha (http://umquetenha.blogspot.com/)

# Cena contemporânea brasileira – Musicoteca (http://blogmusicoteca.blogspot.com/)

# Vinil – Vinil velho (http://vinilvelho.blogspot.com/)

# Cool Jazz – Big Bad Music (http://www.bigbadmusic.blogspot.com/)

# Cordel – Conexão Cordel http://conexaocordel.blogspot.com/

# Reggae/ Ska – You and me na Jamboree (http://youandmeonajamboree.blogspot.com)

* Reportagem de março/2008

Posted in: INOVAÇÃO