Arcas no campo

Posted on Março 26, 2010

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Programa Arca das Letras desperta o interesse das comunidades rurais para a leitura

TAMARA COSTA (para o Na Prática)

Ampliar o acesso à leitura por meio de projetos de incentivo é uma das maneiras de encarar o problema da educação no Brasil. Oferecer livros é apenas o começo da história – é preciso despertar o interesse. E para ir além do discurso “quem lê, viaja”, os programas devem ter a capacidade de atuar conforme as necessidades e os anseios locais. Nos ambientes urbanos, campanhas pró-livro e oportunidades de leitura surgem com mais facilidade, principalmente nos meios de comunicação e nas bibliotecas públicas. E nos campos mais afastados, como plantar as sementes do conhecimento? O Projeto Arca das Letras parece ter encontrado uma resposta.

Criado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras trabalha para encurtar a distância entre o conhecimento e o homem do campo. Mini-bibliotecas são instaladas em assentamentos, comunidades de agricultura familiar e remanescentes de quilombos. As Arcas funcionam em pequenas estantes de madeira confeccionadas em marcenarias penitenciárias, onde detentos trabalham pela redução de pena. Cada arca comporta cerca de 230 títulos.

Os títulos são obtidos por doações de ONGs, órgãos públicos – principalmente os Ministérios da Educação e Cultura -, escolas públicas e particulares do DF, escritores e editoras. O acervo básico das Arcas é formado por livros de escritores brasileiros da literatura clássica e moderna, tanto infantil quanto adulta. A outra parte varia, pois é indicada pela comunidade local. Aí entram livros didáticos, técnicos, entre outros temas como agricultura, cidadania e saúde. Após a chegada da Arca, a idéia é ampliar o acervo com a doação de novos livros.

Os moradores participam dos processos de planejamento, execução e manutenção do Programa. Agentes de leitura são capacitados para a gestão das mini-bibliotecas. “Desenvolvemos uma metodologia simples, onde os agentes aprendem a organizar as bibliotecas, fazer campanhas e incentivar a leitura”, observa Cleide Soares, coordenadora do Projeto.

Cleide Soares destaca o principal resultado do programa; a redução do fracasso escolar nas comunidades participantes. “Este é um dos pontos mais relevantes porque os estudantes que moram nos setores rurais não precisam se deslocar às cidades para fazer pesquisas escolares”, afirma a coordenadora. Segundo ela, também é visível a melhoria da produção rural a partir do uso das cartilhas de técnicas agrícolas distribuídas.

Arca quilombola
O Distrito Federal está no quadro das futuras instalações do Programa Arca das Letras. Nas proximidades de Brasília há uma comunidade quilombola. Ali foi instalada a primeira biblioteca rural, concebida pelos idealizadores como projeto piloto.

A comunidade de remanescentes do Quilombo Mesquita recebeu a Arca das Letras em março de 2005. O Povoado Mesquita, assim chamado, existe há cerca de 200 anos e sua história está associada a uma doação de terras feita a três escravas da Fazenda Mesquita. O povoado, localizado na cidade Ocidental (Goiás), possui hoje cerca de 1.200 habitantes. A comunidade quilombola foi indicada pela Fundação Cultural Palmares, entidade veiculada à preservação de manifestações culturais afro-brasileiras.

A biblioteca foi instalada na associação local. Sandra Pereira Braga, vice-presidente da Associação Renovadora dos Moradores e Amigos do Mesquita, salienta a importância dos livros doados pelo projeto. “Não tínhamos nada além do pequeno acervo da escola. A Arca das Letras veio para ajudar os alunos com suas pesquisas e curiosidades”, observa. “No entanto, os livros mais pedidos pelas crianças são os de historinhas e os gibis”, reforça. Segundo ela, o projeto recebe muitas doaçõ

* publicado em 20/02/2006 – visualizar neste link

Posted in: MEIO AMBIENTE