A nova face da moda

Posted on Março 26, 2010

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A indústria da moda em Brasília vive um período de expansão. Atualmente, a capital conta com investimentos de instituições privadas e acadêmicas e o governo local vem liberando incentivos para o setor

TAMARA COSTA (para o Jornal da Comunidade)

Impulsionadas pela tarefa de formar o profissional qualificado e capaz de atuar em diferentes segmentos do universo artístico e industrial, as faculdades AD1, Unieuro e Uniplac abriram cursos de moda. A UnB também entrou no circuito, e hoje possui um Núcleo de Moda e Joalheria, que visa ao aperfeiçoamento de profissionais e o desenvolvimento de produtos. Para atender às necessidades da demanda, em setembro estréia em Brasília o Capital Fashion Week, evento que promete ‘centro-oestizar’ o eixo oficial da moda. O governo otimiza a idéia através da liberação de incentivos e estima que a moda se torne mais um dos pólos de atração turística da cidade.

“Em Brasília, o potencial econômico da indústria da moda é pequeno, pois ainda existem poucas empresas. Entretanto, a potencialidade é grande”, destaca Marcus Antônio Silva, secretário de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. Para incentivar o crescimento desse mercado, o GDF criou o Pólo de Moda do Distrito Federal. Localizado no Setor de Oficinas do Guará, o pólo possui 462 lojas capazes de reunir pequenas e médias empresas em torno de uma mesma atividade – a moda. Neste ano, a procura e adesão têm aumentado.

O governo disponibiliza incentivos e subsídios por meio do abatimento no preço do terreno e mediante o compromisso de geração de emprego e renda, além de promover a capacitação e o crescimento das empresas. Atualmente, são cerca de 200 empresas instaladas no Pólo de Moda do Distrito Federal.

O trabalho de fortalecimento das empresas é a principal estratégia adotada pela Associação do Pólo de Moda do DF. Por meio de cursos, seminários e palestras, a associação pretende aumentar a capacitação e alcançar maiores oportunidades de venda.

Segundo Maria Lurdes Coelho, Presidente da Associação do Pólo de Moda, o apoio do governo tem sido determinante, mas o programa ainda é pesado para as microempresas. “As taxas de ocupação cobradas são altas. É importante lembrar que no começo, as empresas além de pagar impostos, contratar empregados, precisam ampliar o parque industrial. Portanto, as exigências deviam ser menores”, observa.
Realidade em expansão

A indústria da moda no Distrito Federal entrará pra valer no circuito oficial da moda mundial. De 21 a 24 de setembro, o recém-inaugurado Centro de Convenções Ulysses Guimarães será palco do Capital Fashion Week – primeiro megaevento do gênero no Centro-Oeste. “Em primeiro lugar, Brasília possui a renda per capita mais alta do Brasil. Além disso, temos um grande mercado consumidor e amadurecimento suficiente pra entrar no eixo”, observa Márcia Lima, empresária responsável pela produção do evento.

Quem trabalha com moda, e ainda não teve a oportunidade de ingressar no circuito comercial, é bom ficar atento. O CFW montou uma curadoria para analisar e escolher aqueles que têm capacidade e potencial pra criar uma marca. Os produtores do evento pretendem valorizar e dar ênfase, sobretudo às produções locais. Entre as marcas regionais de sucesso envolvidas estão as grifes Apoena, Ortiga, Magrella e o Consórcio Flor Brasil.

Aliás, o Consórcio Flor Brasil é um dos expoentes da realidade em que se situa a moda produzida no DF. Criado há quatro anos por micro e pequenas empresas brasilienses, o consórcio é um dos principais exportadores de moda praia do Brasil e atua nos mercados norte-americano e europeu. Os biquínis são confeccionados no Guará, Taguatinga e Gama.

Moda na UnB
A oferta de profissionais devidamente especializados foi uma das principais necessidades do mercado contemporâneo. Em resposta às necessidades dos alunos, a Universidade de Brasília passou a desenvolver cursos extensivos em design de moda.

Atualmente, o Núcleo de Desenvolvimento em Design (NDD) da UnB disponibiliza inúmeros cursos de extensão a seus estudantes e à sociedade interessada. Ao longo do ano, serão realizados cerca de 17 cursos ligados à moda e joalheria. “Trata-se de um terreno em construção e o núcleo é uma forma de contribuição para esse processo. Mas ainda é cedo para falar da Indústria da Moda em Brasília”, acentua Andréia Tibery, profissional responsável pela organização de cursos oferecidos pelo Núcleo de Desenvolvimento em Design – NDD/ UnB.

Cursos de graduação
No Distrito Federal, existem três faculdades com cursos na área de moda. A faculdade AD1 forma gerentes de Produtos de Moda, que é o profissional especializado na gerência e atuação em fábricas. As Faculdades Integradas do Planalto Central – Fiplac, com o curso Design de Moda (bacharelado), direciona seu currículo para a área de criação. O Centro Universitário Euroamericano oferece formação em Gestão e Design de moda. Neste caso, o profissional formado estará apto à criação, desenvolvimento de projetos, produtos e produção, tanto em empresas quanto em indústrias.

Indústria têxtil, confecções e moda ganham frente parlamentar
Os segmentos da indústria têxtil, confecção e moda formam uma significante força empregadora e geradora de riquezas. Em 2004, o setor têxtil teve o faturamento de U$25 bilhões e o total de U$ 2,07 bilhões em exportações. Devido ao reconhecimento desse segmento por cerca de 200 deputados e 50 senadores foi lançada a Frente Parlamentar Mista da Indústria Têxtil, de Confecção e Moda. Depois de ter seu processo suspenso nos registros da Câmara Federal, o Frentêxtil foi retomado com o objetivo de analisar, monitorar e propor projetos que viabilizem a expansão do setor.


*Matéria de capa do caderno Comunidade Vip (2005)

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